quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Britânicos fazem maior estudo da história sobre pessoas que 'voltaram da morte'

Pacientes europeus e dos Estados Unidos participarão da pesquisa.
Morrer é um processo, e não um fato pontual, lembra médico.

'Túnel de luz', retratado neste quadro de Hieronymus Bosch (séc. 15), é comumente mencionado nas experiências de quase-morte (Foto: Reprodução)

Neurologistas da Universidade de Southampton, no Reino Unido, estão se preparando para iniciar o maior estudo de todos os tempos sobre as misteriosas experiências de quase-morte -- eventos em que pessoas dizem ter ido até a fronteira do Além e voltado para contar a história. O trabalho vai monitorar pacientes que passam raspando pela morte em solo britânico, em países da Europa continental e nos Estados Unidos, anunciou a instituição.

O projeto Aware (sigla inglesa de "consciência durante ressuscitação") será liderado por Sam Parnia, especialista em estudos sobre a consciência humana durante a morte clínica. Após 18 meses de um estudo-piloto no Reino Unido, a iniciativa está sendo ampliada para outros países.


"Ao contrário do que se acredita popularmente, a morte não é um momento específico. É um processo que começa quando o coração pára de bater, os pulmões não funcionam mais e o cérebro deixa de registrar atividade. É o que chamamos de parada cardíaca, a qual, do ponto de vista biológico, é idêntica à morte clínica", disse Parnia em comunicado oficial. "Durante uma parada cardíaca, todos esses critérios estão presentes. Segue-se então um período, que pode durar de alguns segundos a uma hora ou mais, no qual esforços médicos de emergência podem fazer o coração voltar a funcionar e reverter o processo. O que as pessoas experimentam durante esse período nos dá uma janela única para entender o que acontece conosco durante o processo de morrer."


Fique longe da luz

É nessas condições que entre 10% e 20% dos pacientes relatam passar por fenômenos como o aparecimento de um túnel de luz, o surgimento de um 'filme' de toda a sua vida diante de seus olhos ou a capacidade de ver e ouvir tudo o que acontece no quarto de hospital, às vezes "de cima" do próprio corpo, como se o paciente estivesse flutuando.

O objetivo dos médicos é usar tecnologias sofisticadas para estudar diretamente o cérebro e o estado de consciência dos que sofrem uma parada cardíaca, para tentar confirmar essas afirmações. A idéia é, ao mesmo tempo, usar esses conhecimentos para melhorar as condições gerais de saúde mental e física desses pacientes.


Alguns dos achados mais recentes da neurociência apontam como possível explicação para as experiências de quase-morte uma pane na região do cérebro responsável pelo senso de identidade e autopercepção do corpo. Se a hipótese estiver correta, a pessoa à beira de morrer perderia a capacidade de separar seu próprio organismo do ambiente externo, levando à impressão de se ver "de cima".

domingo, 7 de setembro de 2008

Lenda do Santo Graal é mera invenção da Idade Média, dizem especialistas

Até século 12, cálice da Santa Ceia não era famoso; poetas deram início à saga.
Trama de 'Código da Vinci' envolvendo Graal mistura fraudes e erros históricos.


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Graal
Recipientes de cerâmica usados na Judéia durante o século 1 da Era Cristã: 'Graal' usado na Santa Ceia teria aspecto parecido (Foto: Reprodução)


A lenda do Santo Graal virou, nos últimos tempos, uma espécie de ímã para quase todo tipo de lixo cultural e teorias estapafúrdias. Por isso, é bom colocar as coisas em pratos limpos: o famoso objeto não tem absolutamente nada a ver com Maria Madalena, com os Cavaleiros Templários ou com a sociedade secreta fictícia conhecida como Priorado de Sião. E, aliás, o Graal também não tem nada a ver com Jesus Cristo.



A existência de um suposto cálice milagroso onde o sangue do Messias crucificado teria sido recolhido não passa de uma invenção do fim da Idade Média – uma história bolada pelo poeta mais famoso da Europa no século 12 e, desde então, aumentada por uma fieira de autores posteriores. A lenda do Graal fez muito sucesso em sua época simplesmente por juntar numa só trama as duas grandes paixões do público medieval: cavalaria e fé cristã. E foi sendo repaginada de acordo com as preocupações dos séculos posteriores – inclusive as teorias da conspiração tão populares no começo do século 21.

No princípio era a Ceia

Poucos historiadores hoje duvidam de que Jesus e seus apóstolos realmente celebraram uma ceia derradeira antes que Cristo fosse morto a mando das autoridades romanas e judaicas. Os Evangelhos narram como o grupo comeu pão e bebeu vinho durante a cerimônia. Sabemos até como era a bebida servida nessa época.

“Em todo o Mediterrâneo de então, ninguém bebia vinho puro, mas sim diluído em água”, conta Francisco Marshall, historiador da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). “É que, com as condições precárias de fabricação e preservação da bebida, ou o vinho era uma espécie de vinagre, uma coisa muito ruim, ou então algo muito forte”, diz Marshall. “O jeito, então, era diluí-lo e, se possível, colocar nele algumas ervas aromáticas para melhorar o sabor.”

Ainda quanto às condições materiais do suposto Graal, podemos dizer que Indiana Jones estava certo – ao menos num quesito. No filme “Indiana Jones e a Última Cruzada”, o arqueólogo escolhe “o cálice de um carpinteiro”, feito de madeira e de aparência humilde, como o verdadeiro Graal. De fato, judeus das camadas populares como Jesus provavelmente bebiam em recipientes feitos de cerâmica ou madeira. Pareciam simples cuias, como os oriundos da região de Qumran, no mar Morto, retratados no início desta reportagem.

No entanto, é muito pouco provável que os utensílios de mesa utilizados por Jesus e seus companheiros em sua refeição final juntos tenham sido preservados. Para começar, como afirma o próprio Novo Testamento, a sala onde a ceia aconteceu era alugada. Além disso, o hábito de guardar relíquias relacionadas a figuras religiosas importantes começou relativamente tarde entre os cristãos – cerca de um século após a morte de Jesus. Para os primeiros seguidores de Cristo, o importante não era preservar seus objetos pessoais, mas sim espalhar sua palavra.

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Cálice exibido em Valência, na Espanha, como o usado na Santa Ceia; na verdade, parte do objeto data do começo da Idade Média e as alças foram adicionadas depois (Foto: Reprodução)

Quem conta um conto...

No entanto, conforma a nova religião evoluía, os fiéis sentiam faltas de descrições mais detalhadas da vida e da morte de Jesus, diante da narrativa muitas vezes lacônica dos Evangelhos canônicos (os quatro “oficiais” incluídos no Antigo Testamento). Surgiram então histórias tardias, de caráter popular, como o chamado Evangelho de Nicodemos, que data do fim do século 4 de nossa era.

A obra narra com mais detalhes como os nobres judeus José de Arimatéia e Nicodemos deram um enterro digno ao corpo de Jesus antes de sua ressurreição, e como um soldado romano chamado Longino feriu o tórax de Cristo com uma lança. Logo começaram a circular lendas sobre as relíquias do Sangue Santo – o sangue que José de Arimatéia e Nicodemos teriam recolhido do corpo de Jesus – e sobre a lança de Longino, dois elementos que voltariam na história do Santo Graal.

A pré-história da lenda estava mais ou menos nesse pé quando entrou em cena um escritor francês chamado Chrétien de Troyes. Ninguém sabe exatamente de onde Chrétien de Troyes tirou a inspiração para dar o passo seguinte no desenvolvimento da lenda, por volta do ano 1180. O poeta do norte da França já fazia sucesso com histórias sobre os cavaleiros da Távola Redonda, especialmente Lancelote, o mais valoroso deles. É então que ele decide escrever uma nova saga sobre Percival, um jovem nobre que perde o pai muito cedo e é criado longe da civilização pela mãe.

“Percival é uma espécie de bom selvagem, não sabe se comportar em sociedade por ter sido criado no meio da mata”, afirma José Rivair Macedo, especialista em história medieval da UFRGS. O rapaz encontra um grupo de cavaleiros na floresta e fica tão fascinado por eles que pede à mãe para se tornar cavaleiro também. Parte para o corte do rei Arthur, consegue seu desejo e parte pelo mundo em busca de aventuras.

“Uma coisa tão santa”

E é aí que o Graal finalmente entra em cena. Percival chega ao castelo de um nobre conhecido como Rei Pescador, onde ele presencia uma cerimônia que ficaria conhecida como a procissão do Graal: uma lança que sangra (alguém se lembrou da lança de Longino?) e “um graal” - a palavra é usada de modo genérico por Chrétien.

“A tradução mais correta para o português seria escudela”, diz Macedo, referindo-se a uma espécie de prato comprido e relativamente fundo – uma travessa, diríamos hoje – usada para servir peixes ou carnes. Ironia das ironias: o Graal original não é um cálice, mas um prato! Chrétien dá a atender que “o graal” carregava uma única hóstia, que servia de alimento para o pai do Rei Pescador, gravemente ferido.

Diversos eventos misteriosos fazem com que Percival deixe o castelo do Rei Pescador e encontre um eremita. O monge conta ao cavaleiro que o Graal é “uma coisa muito santa” (tante sainte chose, no dialeto francês medieval de Chrétien)... e a história termina aí, sem final. Há quem ache que Chrétien tenha morrido antes de concluí-la.

Foi justamente graças a essa ponta solta que a criatividade dos autores que vieram depois de Chrétien pode correr solta. Para o medievalista britânico Richard Barber, autor do livro “O Santo Graal – A História de Uma Lenda”, os autores juntaram o mistério do Graal de Chrétien com o Evangelho de Nicodemos e as imagens religiosas da época para sugerir que, na verdade, a “coisa muito santa” era o prato (ou o cálice) onde José de Arimatéia e Nicodemos teriam recolhido o sangue de Jesus.

Cavaleiro puro

Em parte graças aos personagens da Távola Redonda que agora faziam parte da história, a saga do Graal passou a fazer enorme sucesso. Nas cinco décadas depois da morte de Chrétien, surgiram 18 continuações da história de Percival, com vários autores diferentes. A maioria delas incluía um novo cavaleiro, Galahad, filho de Lancelote, um guerreiro casto e puro que se unia a Percival e a outros homens da Távola Redonda para encontrar o Graal. Com isso, eles seriam capazes de curar o pai ferido do Rei Pescador, salvando o reino dele da destruição, e encontrar a iluminação.

De acordo com Barber, embora as histórias incorporem alguns elementos da mitologia celta, seu pano de fundo é basicamente cristão. O Graal funciona como um símbolo da Eucaristia, o sacramento da transformação do pão e do vinho no corpo e no sangue de Cristo. Beber (ou comer) do objeto restaura a saúde do soberano ferido e, de quebra, leva Galahad direto para o Paraíso – exatamente os atributos que a doutrina da Eucaristia dá a esse sacramento.

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Antioquia
Conhecido como "cálice de Antioquia" e também associado ao Santo Graal, este objeto na verdade é uma antiga lâmpada a óleo (Foto: Reprodução)

O curioso é que, com a popularidade do Graal, várias igrejas da Europa passaram a reivindicar a posse do cálice usado por Cristo na Última Ceia. Dois exemplos estão em Valência, na Espanha, e Gênova, na Itália (em ambos os casos, o mais provável é que sejam objetos de origem árabe, fabricados no começo da Idade Média). Um objeto descoberto na Síria no começo do século 20, conhecido como cálice de Antioquia, chegou a ser considerado como o Graal original até se descobrir que ele não passava de uma lâmpada a óleo, também do começo da Idade Média.

Código da bobagem

A lenda do Graal andou em baixa do fim do século 16 até o começo do século 19, quando um interesse renovado pela cultura da Idade Média surgiu no Ocidente. No entanto, sua máxima popularidade recente certamente se deve ao livro “O Código Da Vinci”, que afirma que o Santo Graal na verdade seria o sang real – o “sangue real” dos filhos de Jesus com Maria Madalena, que teriam migrado para a França no começo da Era Cristã e sido protegidos ao longo dos séculos pelo chamado Priorado de Sião.

Tudo isso não passa de um imenso engodo, usado pelo escritor americano Dan Brown (e outros antes dele) para aumentar a popularidade de seus livros. Primeiro, as evidências de que Jesus e Maria Madalena tenham casado e tido filhos são nulas (assim como as de uma suposta viagem dela para a França). O Priorado de Sião é uma fraude criada por um vigarista francês no século 20. E a expressão sang real é só uma leitura equivocada da expressão san greal, “Santo Graal”, por alguns escritores do século 15.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Ciência prova: ninguém consegue esquecer um episódio de 'Os Simpsons'

Estudo ajuda a entender mecanismo de funcionamento da memória.
Pesquisa foi feita inserindo eletrodos em 13 voluntários epilépticos.

Agora é científico: os criadores de "Os Simpsons" já podem dizer que sua série de desenhos animados é mesmo memorável. A verificação vem de um estudo conduzido por cientistas dos Estados Unidos e de Israel, que ajudou a entender exatamente como a memória humana funciona -- e a coisa não é tão diferente assim da memória de um computador.

A equipe, encabeçada por Hagar Gelbard-Sagiv, do Instituto Weizmann, em Revohot, Israel, aproveitou a oportunidade que surgiu quando médicos foram inserir eletrodos no cérebro de 13 pacientes epilépticos que não reagiam a medicamentos para identificar a localização da origem de suas convulsões.

Os cientistas usaram a situação para tentar medir diretamente a ativação de neurônios enquanto os pacientes assistiam a clipes de diversos programas de televisão. Com isso, eles podiam ver onde exatamente eram disparados neurônios durante a "gravação" da memória desses clipes no cérebro.

Mais tarde, após uma pausa para "zerar" a atividade cerebral, os voluntários eram encorajados a relembrar livremente os clipes que haviam visto. Ao mesmo tempo, eles tinham de dizer imediatamente após se lembrarem que clipe eles estavam mencionando. Enquanto isso, os cientistas continuariam monitorando seus cérebros.

E aí o resultado: os mesmos neurônios que foram ativados fortemente quando o voluntário via um clipe voltavam a ser ativados durante o processo de relembrar. Essas memórias se formam no hipocampo, região do cérebro localizada nas partes laterais do órgão. E o curioso é que a medição da atividade cerebral permite ver que o "arquivo" está sendo acessado até um segundo e meio antes que o próprio voluntário declare ter se lembrado dele.

E quanto aos Simpsons? Pois foi o programa mais vividamente lembrado -- ou seja, o que provocou a mais intensa ativação de um certo grupo de neurônios, tanto durante a exibição inicial como no processo de rememorar.

Os resultados, publicados on-line pela revista científica americana "Science", ajudam a compreender o funcionamento da memória e também aludem a um novo conjunto de perguntas fascinantes.

Por exemplo, existem neurônios especialistas em processar certo tipo de memória, algo como, por exemplo, neurônios especializados em comédias? Os resultados não trazem as respostas, mas sugerem que pode ser o caso. Alguns dos mesmos neurônios que se ativaram fortemente durante "Os Simpsons" também mostraram forte ativação durante "Seinfeld". "Não está claro no presente se os múltiplos clipes a que um mesmo neurônio responde podem estar ligados por alguma regra de associação abstrata", dizem os pesquisadores, em seu artigo.

O que é uma ótima notícia para eles, que ainda terão muito trabalho pela frente com futuros experimentos.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Conheça sete invenções chinesas que mudaram o mundo, da seda ao macarrão

Papel-moeda, pólvora e até garfo fazem parte da lista de grandes descobertas tecnológicas.
Arqueologia também desmente alguns mitos, como o uso pacífico dos explosivos na China.

Como era de se esperar, as Olimpíadas de Pequim fizeram com que, por todo o resto do mundo, a curiosidade sobre a China chegasse ao ápice. Os aspectos mais exóticos e bizarros do país, bem como seu regime político com mão de ferro, foram muito comentados, mas o que muita gente esquece é que alguns aspectos fundamentais da tecnologia ocidental são, originalmente, chineses. Na reta final das Olimpíadas, o G1 apresenta sete invenções da China que estão entranhadas no nosso cotidiano. Confira a lista abaixo:

1)Papel
O material que ainda é o mais importante para a circulação de informações escritas no mundo provavelmente foi usado pioneiramente por escribas da dinastia Han, que dominou a China do século 2 a.C. ao século 2 d.C. Por volta do ano 200, o papel tinha se tornado dominante em território chinês, servindo para mapas, documentos e livros, graças a seu preço mais acessível. Originalmente, a receita chinesa para produzir papel incluía até restos de redes de pesca.

Foto: Reprodução
Mulheres preparam seda em gravura do século 12 (Foto: Reprodução)

2)Imprensa

Data do ano 868 de nossa era o primeiro exemplo de livro impresso na China, usando caracteres entalhados em madeira. O sistema deu tão certo que, ao longo dos séculos, os chineses se puseram a refiná-lo com a invenção dos tipos móveis, equivalentes aos vários sinais ideográficas da escrita do país, que podiam ser trocados à vontade na prensa. No século 15, o alemão Gutemberg usaria tipos móveis para dar início ao uso maciço da imprensa no Ocidente.

3)Papel-moeda

O dinheiro em notas que todos conhecemos e amamos circulou em escala nacional pela primeira vez também na China, por ordem das dinastias Song e Jin, nos séculos 12 e 13. O sistema foi adotado como maneira de diminuir a exploração das minas de cobre chinesas e de desvalorizar a moeda. Ou seja: eles também foram os pioneiros da inflação...


Reprodução

Vai um trocado aí? Um dos primeiros exemplos-chineses de papel moeda (Foto: Reprodução)

4)Macarrão

Não dá para saber se já era al dente, mas o macarrão chinês é uma invenção literalmente pré-histórica, remontando a cerca de 4.000 atrás. A guloseima não era feita de trigo, como a massa de macarrão italiano popular no Brasil, mas com dois tipos de milhete, um cereal de pequeno porte que ainda é usado em vários lugares do mundo.

5)Pólvora

Outra invenção medieval chinesa, a pólvora remonta ao século 10 e foi sendo continuamente aperfeiçoada por engenheiros militares a serviço das várias dinastias imperiais -- ao contrário da lenda segundo a qual a pólvora chinesa não tinha originalmente uma função bélica. Desde o começo, o material foi empregado para produzir bombas incendiárias, que eram unidas a catapultas ou a navios de guerra.

6)Seda

Ainda mais antigo que o macarrão, o tecido emblemático da cultura chinesa, fabricado a partir do casulo do bicho-da-seda, existe há quase 6.000 anos, mostra a arqueologia. O refinamento da manufatura de seda no país impulsionou uma forma primitiva de globalização, com uma rota de comércio que ia do Império Romano ao interior da China.

7)Garfo

É um bocado irônico, mas o país celebrizado por comer com pauzinhos é, na verdade, também um pioneiro no uso do garfo "ocidental". Túmulos com mais de 4.000 anos encontrados na China trazem versões do aparato fabricadas com osso. Durante os vários séculos seguintes, o garfo continuou a ser usado como utensílio de cozinha pelos chineses.

Escrita pode indicar doença cardíaca, diz estudo

Pacientes cardíacos usam mais "pontos de descanso" em sua escrita.

A escrita pode indicar doenças cardíacas, segundo um estudo da grafologista Christina Strang, apresentado na quarta-feira em um Congresso da International Graphology Society, em Melbourne. A grafologista analisou a escrita de 102 voluntários, 61 deles pacientes da clínica para doenças cardíacas do Poole Hospital, na Inglaterra, e 41 teoricamente saudáveis.

Aos voluntários - em sua maioria na faixa dos 60 anos - foi pedido que escrevessem um texto sobre qualquer assunto de 100 palavras, usando o mesmo tipo de caneta e prancheta. Strang analisou as últimas 30 palavras de cada texto, quando os voluntários já estariam relaxados, avaliando a pressão da caneta sobre o papel, intervalos na formação das letras, forma e mal-formação da letra "o" e os "Pontos de Descanso".

A conclusão foi de que, entre os pacientes com problemas cardíacos, havia um número significativamente maior de "Pontos de Descanso" registrados nas páginas do que entre os voluntários saudáveis. Os pontos são minúsculos. Os trechos manuscritos foram ampliados e analisados detalhadamente.

Dobro da média

Outros sinais foram analisados, mas a evidência encontrada foi nos pontos, principalmente nas letras "a" e "o". A média desses pontos entre os pacientes foi quase o dobro da média entre os voluntários supostamente saudáveis.

A pesquisadora afirma que são necessários mais estudos, "mas as significativas diferenças na escrita provam que os pacientes da clínica tinham um número maior de 'Pontos de Descanso' em sua escrita do que o grupo de controle".

Strang vai continuar seus estudos e pretende identificar movimentos distintos da escrita para doenças cardíacas específicas, como e em que estágio pode ser vista a doença na escrita e se os sintomas pré-físicos ficam aparentes na escrita.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Alvo: Terra

- Asteróides e cometas são uma ameaça constante ao nosso planeta. Conseguiremos impedir a catástrofe da próxima vez?




O primeiro sinal da ameaça era só um pontinho entre os rastros de estrelas no telescópio. Pouco depois das 9 da noite de 18 de junho de 2004, ao findar o crepúsculo sobre o Observatório Nacional de Kitty Peak, no Arizona, David Tholen procurava asteróides em um ponto cego astronômico: nos limites da órbita da Terra, onde a luz do Sol pode ofuscar os telescópios. Tholen, da Universidade do Havaí, sabia que objetos que espreitam nessa região podem tomar o rumo da Terra. Recrutara para ajudá-lo um amigo engenheiro, Roy Tucker, e um jovem colega da universidade, Fabrizio Bernardi. Três imagens da mesma faixa do céu tiradas a intervalos de alguns minutos passaram em seqüência no monitor do computador que eles fitavam. "Olha o bicho aí", diz Tucker, apontando um aglomerado de pixels brancos que trocava de lugar nas três fotos.

Tholen informou o achado ao Centro de Planetas Menores da União Astronômica Internacional, uma câmara de checagem de dados sobre asteróides e cometas. Ele e Tucker pretendiam dar mais uma olhada naquela semana, mas a chuva atrapalhou, e o asteróide sumiu de vista.

Quando os astrônomos conseguiram localizá-lo novamente em dezembro, perceberam o problema: a rocha, maior que um ginásio de esportes, despenca em direção ao nosso planeta a cada poucos anos. Conforme foram chegando mais observações ao Centro de Planetas Menores, o asteróide, batizado de Apófis, o nome do deus egípcio do mal, pareceu cada vez mais sinistro.

"A probabilidade de impacto não parava de aumentar", diz Tholen. No Natal, os modelos previram que havia uma chance em 40 de o Apófis colidir com a Terra em 13 de abril de 2029.

Mas, em 26 de dezembro de 2004, uma catástrofe imediata se abateu: o tsunami no oceano Índico. O público esqueceu do Apófis. Nesse meio tempo, astrônomos haviam desencavado imagens anteriores do asteróide. Os dados adicionais permitiram-lhes calcular sua órbita e concluir que, na verdade, em 2029 o Apófis passaria ao largo da Terra. Mas não puderam excluir uma pequena chance de colisão quando o asteróide passar da próxima vez, no domingo de Páscoa de 2036.

Calcula-se que 10 milhões de asteróides rochosos e cometas de gelo e poeira rodopiem pelo espaço cósmico e, de quando em quando, suas trajetórias se cruzam fatalmente com o nosso planeta. Um colosso de 9,5 quilômetros de diâmetro desabou sobre o golfo do México há 65 milhões de anos, liberando milhares de vezes mais energia que todas as armas atômicas do planeta juntas.

"A Terra toda se incendiou naquele dia", diz o físico Ed Lu. Extinguiram-se três quartos de todas as formas de vida, entre elas os dinossauros.

Astrônomos já identificaram várias centenas de asteróides grandes o bastante para causar um desastre no planeta inteiro. Nenhum está a caminho de o fazer num futuro que será visto por qualquer ser humano hoje vivo. Mas o céu fervilha de asteróides menores que poderiam nos atingir em um futuro próximo, com efeitos devastadores. Em 30 de junho de 1908, um objeto do tamanho de um prédio de 15 andares caiu em uma parte remota da Sibéria chamada Tunguska. O objeto, um asteróide ou um pequeno cometa, explodiu poucos quilômetros antes do impacto, incinerando e derrubando árvores numa área de 2 071 quilômetros quadrados. Por vários dias o céu noturno ficou tão claro com a poeira da explosão ou as nuvens geladas do vapor d᾽água lançadas pelo objeto na atmosfera superior que foi possível ler jornal ao ar livre na Europa. No centésimo aniversário de Tunguska, é preocupante observar que objetos daquele tamanho colidam com a Terra a intervalos de poucos séculos.

Na próxima vez em que o céu cair podemos ser pegos de surpresa. A grande maioria desses corpos menores, capazes de limpar uma cidade do mapa, ainda não aparece nas nossas telas de radar. "Nesse caso, a ignorância é uma bênção", brinca Lu. Mas, na próxima década, estudos deverão preencher essa lacuna, catalogando asteróides aos milhares. "Quase não haverá semana em que não encontraremos asteróides com uma chance em mil de atingir a Terra", diz Lu.